No enterro, nenhum parente. Essa mulher quase anônima, batalhadora, talentosa na manejo de temperos e sabores e dona de uma memória gastronômica que remonta aos tempos da belle époque carioca não tinha ninguém, exceto os companheiros do bar onde trabalhava. Com ela a gente perde um pouco desses temperos. E falei sobre isso num post de fevereiro, que pode ser relido aqui. Era uma matéria sobre bares centenários, na qual o 28 era citado.
O espelho do Restaurante 28 com o reflexo de seu Amândio (foto de Custódio Coimbra)
Na minha conversa de hoje com o seu Amândio perguntei se era dona Antonia a responsável pelo saboroso leitão da casa e ele me esclareceu rapidamente:
— Não! Os assados sou eu quem faz. São minha especialidade. Dona Antonia cuidava da comida de panela: cozido, polvo, mocotó.
Por isso, meus amigos, recomendo que corram urgentemente ao 28 e desfrutem desse paladar em vias de extinção. O bar do Jóia, citado na mesma matéria, já está com as portas fechadas, segundo uma nota, para reforma, mas eu, cá com meus botões, temo que ele não abra mais...
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